Moderação do Por que, pra quê?



O Por que, pra quê? é uma rede de ideias e questões científicas formuladas e experimentadas por crianças e jovens

O projeto tem como referência a primeira versão online para a exposição Por que, pra quê?, publicada em 2002 e mantida ativa até 2007 com, aproximadamente, 18.000 crianças cadastradas e cerca de 700 laboratórios pessoais ativos, carregados de experimentos e dados de pesquisas sobre os diversos temas relacionados às ciências.

A nova interface, lançada em março de 2012, consiste em uma proposta educacional não-formal atrelada a uma interface digital, visando potencializar a troca de ideias e curiosidades relacionadas às ciências entre crianças e jovens de 9 a 14 anos com a finalidade de aproximá-las do dia-a-dia por meio da experimentação.

A proposta educativa está sendo desenvolvida em conjunto entre o SESC SP e a PERCEBE desde agosto de 2011. A PERCEBE será responsável pela moderação e animação da participação das crianças e também de professores que se interessem em usar o Por que, pra quê? como uma ferramenta educacional.

O público pode participar apenas como leitor ou como proponente de conteúdo — mediante cadastramento. Aqueles que se cadastrarem no sistema passarão a interagir através de um cientista personalizado.

Conheça o projeto e divulgue!

Estudo de público no HR MacMillan Space Centre de Vancouver

Créditos da imagem: HR MacMillan Space Centre
Há alguns meses moro em Vancouver -Canadá e aos poucos tenho ido conhecendo e explorando a rede de museus da cidade, especialmente os museus e centros de ciências. Entre eles, encontra-se o Beaty Biodiversity Museum, da Universidade de British Columbia, o Vancouver Aquarium, o Van Dusen Botanical Garden, o Greater Vancouver Zoo, o  Science World e o HR MacMillan Space Centre.
Como parte da ideia de projetar a Percebe neste cenário cultural e conhecer mais à respeito dos programas educativos e dos públicos que freqüentam estes espaços, foi proposta uma parceria de trabalho entre a nossa empresa e o MacMillan Space centre, um museu de astronomia  que compartilha o seu espaço como o Museu de Vancouver  (MOV) e o Martime Museum, dentro de um parque/complexo cultural localizado perto do centro da cidade.
O Space Centre http://www.spacecentre.ca/ é uma organização sem fins lucrativos originada a partir da doação de um planetário à cidade de Vancouver em 1968. Hoje, o museu compreende o Planetário, o observatório (Gordon MacMillan Southam Observatory), uma exposição de longa-duração, além de espaços destinados para workshops e palestras. O planetário, que funcionam também como teatro de 360º, tem sido utilizado para shows de astronomia, envolvendo assuntos como Galileu e origem do universo.
Neste contexto, era interesse da direção educativa do museu conhecer mais à respeito dos visitantes que freqüentam o espaço e caracterizar suas expectativas, motivações e barreiras para realizar a visita.  Aproveitando um evento único e gratuito para o público, foi proposta uma pesquisa de público voltada a explorar as características demográficas dos visitantes e outros aspectos dos seus contextos pessoais e sócio-culturais.
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Créditos da imagem: HR MacMillan Space Centre
O estudo foi planejado com alguns meses de antecedência ao evento por meio de reuniões periódicas com membros da direção de educação e de comunicação do museu. Fruto dessas reuniões de trabalho e de observações prévias realizadas no espaço, foi proposta uma avaliação quantitativa e qualitativa  baseada na aplicação de um questionário anônimo. 
O instrumento de coleta de dados selecionado  fazia sentido para o tipo de evento que seria realizado - um dia gratuito-, no qual era imprevisível o número de visitantes  e, em relação ao qual havia grande expectativa por conhecer o tipo de público atraído. Assim, assuntos relacionados à inclusão sócio-cultural permearam as questões colocadas para 100 visitantes que participaram do estudo.  
Os dados obtidos revelaram, entre outros, um público com elevado nível educativo (a  maioria com ensino superior completo) e com baixa freqüência de visitação (ao longo do ano) a museus, exposições, jardins botânicos e centros culturais.  Revelaram, ainda, como principal barreira para realizar visitação a museus em Vancouver, o preço elevado dos ingressos e a ausência de dias gratuitos para visitar tais equipamentos culturais na cidade.
Os resultados do estudo foram organizados em um relatório técnico que será divulgado pelo museu em instâncias governamentais da cidade e na rede de educadores de museus de Vancouver.


Ana Maria Navas

Temas ambientais. Como trabalhar?


Ilustração: Veridiana Scarpelli


Um grupo de profissionais, de diferentes áreas do conhecimento e ligados a Percebe, acabou de atuar juntos na construção de um Jogo para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo. O público alvo da ação eram alunos do Ciclo II do Ensino Fundamental, além de equipes pedagógicas, educadores ambientais, participantes de organizações não governamentais, além de outros atores sociais envolvidos com questões ambientais relacionados às matas ciliares.

Matas ciliares? Mas que lugar é este, qual seu papel no ambiente? Ciliares, como o próprio nome diz vem de cílios, aqueles que servem para proteger e é deste lugar que o Jogo encomendado pela Secretaria deveria tratar: das matas que margeiam e protegem os rios.

Mas como abordar questões tão importantes e tantas vezes ignoradas pela grande maioria de todos?

O desafio do grupo era então criar um Jogo para sensibilizar e informar sobre questões importantes referentes à situação das bacias hidrográficas que precisam ser cada vez mais conhecidas para assim serem protegidas com ações efetivas e cidadãs. Mas, para além de informar sobre os já tão conhecidos slogans sobre as problemáticas ambientais do mundo contemporâneo, faz-se necessário conhecer e ter argumentos para poder atuar. Deste modo acreditamos que o jogo proposto - que provoca situações de debate e a simulação de resolução de problemas socioambientais - possa ser um caminho possível, uma ferramenta a mais para ampliar o entendimento das consequências dos impactos no ambiente. Além disso, o jogo propõe que os possíveis caminhos sejam encontrados de forma colaborativa, o que é imprescindível para ações de recuperação ambiental na vida real.

Assim, apesar de toda complexidade que a situação exigia nunca houve dúvidas quanto ao tipo de proposta que seria criada: um jogo de papéis para resolução coletiva e cooperativa dos problemas socioambientais que seriam abordados. O desafio dos jogadores seria o de se colocar em diferentes papéis para enfrentar as mais diversas questões relativas às áreas de mata ciliar: do gado solto pisoteando uma área de agricultura, até a poluição das águas por esgoto não tratado, principalmente na área urbana, passando por: erosão do solo causada pela falta de vegetação; destinação inadequada do lixo doméstico; construção de casas em barrancos e em áreas próximas ao rio; desmatamento irregular de áreas protegidas por lei, como nascentes e áreas de beira de rios; queimadas frequentes da mata e de lixo; despejo de carcaças de peixes e ração animal nas águas dos rios; emissão de gases de efeito estufa com a queimada da cana-de-açúcar; agricultura e pecuária em áreas de preservação próximo ao rio, dentre outras.

Para discutir sobre as soluções possíveis a esses problema - os moradores da região, os representantes do poder público , o empresariado e os usuários dessa área e demais interessados - decidem em uma situação de assembléia sobre as possíveis alternativas viáveis a todos para transformar e melhorar a realidade local.

Debater, argumentar e defender uma ideia são as principais ações que entram em cena na hora da tomada de uma decisão coletiva que resultará na melhoria da qualidade socioambiental da pequena cidade de Ciliópolis que recebe selos verdes como concretizações de ações para o restabelecimento de uma relação mais equilibrada entre o uso dos recursos naturais e a conservação ambiental, pautada na legislação vigente.

É preciso confessar que não foi um desafio fácil. Mas depois de muitos meses debruçados sobre os conteúdos, estratégias e ações mais adequadas, o Jogo tomou forma e acaba de sair de forno. Não antes de passar pelo crivo dos alunos mais que especiais de uma escola estadual da cidade de São Paulo que atuaram como convidados de honra no teste formal do jogo.

Eles se colocaram nos papéis das personagens de Ciliópolis, leram os textos, deram depoimentos, opinaram e pra nossa felicidade quando dizíamos que o tempo havia se esgotado ou que teriam que encerrar a jogada porque o esperam nada menos que o professor de educação física eles nos diziam em alto e bom som: - Ah! não!!! Não, queremos, ir embora não. Deixa a gente acabar, tá muito bom jogar esse jogo!

Nos que tínhamos certo medo da quantidade de informações, da logística do jogo, dentre outros aspectos , saímos da escola com a sensação de desafio cumprido uma vez que de modo geral todos os alunos envolvidos com o pré teste foram unânimes em afirmar que aprenderam coisas novas e tais como arrumar uma cidade, cuidar do ambiente, não desmatar, dentre outros depoimentos não menos importantes.

Em todas as turmas, onde os estudantes passaram pela experiência em primeira mão, o jogo estimulou o interesse e a atenção de todos e os aspectos ligados a ludicidade e a jogabilidade, do nosso ponto de vista, parecem ter sido alcançados. Mais notícias em breve no site da Secretaria do Meio Ambiente que prometeu disponibilizar, ao menos on line, Ciliares, o mais novo jogo da Percebe!!!!

Eliane Mingues


Materiais Educativos para a exposição Água na Oca



A exposição temporária Água na Oca, realizada por meio de uma parceria entre o Instituto Sangari e o Museu de Historia Natural de Nova Iorque, foi aberta ao público em novembro de 2010 no Pavilhão Lucas Nogueira Garcez, popularmente conhecido como Oca, localizado no Parque do Ibirapuera, na cidade de São Paulo. Destinada ao público geral, a exposição propõe uma viagem pelo Planeta Terra, explorando as características físicas e químicas deste líquido, suas formas de uso pelas diferentes espécies de plantas e animais, até as relações que as culturas constroem com a água.

Temas como propriedades da água, ambientes aquáticos, ecossistemas, seres vivos e adaptações, água como recurso, intervenção humana, água como bem imaterial, mar e espaço como fronteira e água como agente transformador da paisagem são abordados ao longo de uma área de cerca de 8.000 m2. A estrutura expográfica da exposição comporta vídeos, painéis de texto, objetos interativos, obras de arte e recintos com seres vivos, entre outros.

Neste contexto, a PERCEBE foi contratada para conceber e produzir os materiais educativos destinados à comunidade escolar, público-alvo da exposição. Assim, três ações educativas foram concebidas: (1) um material educativo para o professor, (2) um almanaque educativo para os alunos e (3) um guia para a realização dos Encontros com educadores, atividade de formação continuada oferecida aos professores.

Para o público infantil e juvenil foi desenvolvido um almanaque educativo, onde diversos assuntos foram tratados com uma linguagem acessível, apresentados de maneira a estimular a curiosidade do leitor. Inspirados pela necessidade de re-aproximar ciência e cultura o material abordou assuntos científicos sobre água, saberes tradicionais e expressões culturais e artísticas sobre o tema.

As ações destinadas para professores envolveram a exploração e análise dos conteúdos, dos objetos e do espaço expositivo. O Material educativo foi pensado para ir além dos conteúdos científicos e tecnológicos sobre água, trazendo a relação homem-água do ponto de vista artístico-cultural. No guia dos Encontros com Educadores, priorizou-se a realização de uma visita prévia à exposição, envolvendo a exploração de algumas das especificidades educativas dos museus.

Os três materiais constituem uma unidade conceitual de ação educativa que considera o visitante como sujeito ativo do processo de construção de saberes em espaços de educação não-formal.

Abril de 2011

O desafio da aprendizagem em espaços não-formais

Sempre que a nossa empresa planeja um curso de formação para mediadores/educadores de exposições, museus, ou espaços culturais, a questão da aprendizagem gera ao mesmo tempo, envolvimento e apreensão. Entendemos que esse é um tema crucial aos espaços não-formais que atuam de alguma maneira na educação, e têm muitas vezes uma proposta educativa muito clara e definida.
Nesse sentido, tratar da aprendizagem aos futuros mediadores (ou profissionais em formação) é de extrema importância. A tensão que se coloca ao elaborar o conteúdo sobre esse tema é: quais recortes conceituais devem ser feitos? como o público irá se apropriar dele? e mais, como mostrar um panorama geral de como as pessoas aprendem em espaços não-formais sem induzir a uma maneira de pensar?
Temos tentando a cada nova edição do nosso curso, incluir debates sobre aprendizagem que se voltem a maneira como as pessoas se relacionam dentro das exposições e assim mostrar aos mediadores um cenário das pesquisas feitas nessa área.
Evidente que nos reconhecemos em uma determinada forma de ensino-aprendizagem, e acreditamos que deva ser uma proposta educativa que priorize a interação com público em diversos níveis, nos quais os indivíduos são ouvidos e acolhidos numa perspectiva mais dialógica e reflexiva.
Isso não quer dizer que as outras propostas educativas não possam conviver e até mesmo ter sua importância no momento da visita.
O que deixa complexa essa temática, é apresentar a aprendizagem não apenas do ponto de vista do visitante, mas também de quem pensa a mediação, quem a executa e onde ela se dá. E ainda, alimentar a expectativa que mais intriga um educador, saber se o visitante irá "captar" a sua mensagem.
Não pretendo aqui definir normas e regras para definir o conteúdo sobre aprendizagem num curso de formação de mediadores, mas problematizar as escolhas que temos que fazer e como elas podem influenciar a maneira de pensar a educação do ponto de vista da mediação.
Porém, posso dizer com propriedade da prática, todos querem saber o que fazer durante uma visita para facilitar a aprendizagem.
Eis aí, o nó entre a escolha do conteúdo, sua apresentação e as expectativas do aluno.
Estamos na busca, no caminho da dosagem entre esses 3 distintos temperos, que as vezes pode dar uma ótima mistura, ou as vezes, ficar carregado demais de um deles.

Curso de formação de Mediadores da exposição "Energia: do Big Bang ao Sol Artificial"

Este projeto envolveu a concepção e o desenvolvimento dos conteúdos relacionados à educação não-formal e comunicação em museus do curso de formação de mediadores da exposição "Energia: do Big Bang ao Sol Artificial" do SESC Itaquera.

A exposição, aberta ao publico até setembro de 2011 no próprio SESC, compõe um complexo expositivo que apresenta 10 módulos que contemplam os seguintes temas: 1. Introdução ao tema energia; 2. Sol - nosso grande gerador de energia; 3. Energia e vida; 4. Linha do tempo; 5. O mundo fóssil; 6. O mundo da eletricidade; 7. O mundo do átomo; 8. Fontes renováveis de energia; 9. Cultura da sustentabilidade, que inclui aspectos sobre consumo, o corpo humano, a casa e a cidade. Por fim, o tema 10. Tendências para o Futuro.


Os temas abordados pela PERCEBE durante o curso envolveram educação não formal, comunicação em museus, caracterização do público e aprendizagem em museus, bem como conteúdos específicos direcionados ao planejamento de roteiros e de propostas de mediação junto aos mediadores. Assim, estes conteúdos foram desenvolvidos através de palestras, oficinas e atividades práticas, além do planejamento e realização de três visitas técnicas a museus e outros espaços de educação não-formal, sendo eles:
* Pinacoteca do Estado de São Paulo
* Centro Cultural Banco do Brasil
* Catavento Cultural


Os participantes do curso receberam um material de apoio com conteúdos sobre discurso expositivo, aspectos voltados à educação e comunicação em museus e conteúdos específicos sobre a exposição.

Avaliação de Público na exposição Revolução Genômica

Revolução Genômica foi uma exposição itinerante realizada pelo Instituto Sangari em parceria com o Museu de História Natural de Nova Iorque montada em São Paulo, no Parque Ibirapuera, entre fevereiro e julho de 2008.

A exposição explora aspectos do genoma, da genética, do desenvolvimento de tecnologias relacionadas e seus impactos nos dias de hoje. Questões como clonagem, células tronco, seqüenciamento de DNA, diversidade genética, projeto Genoma Humano, identidade genética, engenharia genética, transgênicos e terapia gênica foram apresentadas em um espaço de 2.220m2 por meio de diversos recursos museográficos como vitrines com animais vivos, instalações interativas, projeções, vídeos, laboratório, painéis de texto e dioramas, entre outros (Instituto Sangari, 2008).

Visitada por cerca de 150.000 visitantes, a exposição contou com diversas ações educativas e culturais como visitas monitoradas, ciclos de palestras, intervenções de atores, encontros de formação de professores e material educativo para professores e alunos.

A pesquisa de público realizada nesta exposição, a partir de uma demanda da instituição organizadora, teve por foco conhecer as atitudes, os interesses e a compreensão do público sobre os temas apresentados, valendo-se, para isso, de métodos quantitativos e qualitativos de coleta de dados: questionário de percepção, atividade qualitativa de percepção e acompanhamento e observação de visitas guiadas.